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Comprar imóvel em família: como somar rendas no financiamento de apartamento

Realizar o sonho de comprar imóvel própria é o desejo de muitos brasileiros, mas nem sempre o orçamento de uma única pessoa é suficiente para conseguir a aprovação do banco. É aqui que entra o financiamento de apartamento com composição de renda, uma estratégia inteligente onde familiares unem forças para comprar um imóvel.

Imagine que você quer comprar um brinquedo muito caro, mas sua mesada não dá. Se você juntar o seu dinheiro com o do seu irmão e o dos seus pais, fica muito mais fácil, certo? No mundo dos adultos, o especialista Ivo Botafogo explica que o processo funciona de forma parecida: o banco olha para o “bolinho” de dinheiro que todo mundo ganha junto para decidir se empresta o valor necessário.

Comprar imóvel em família: como somar rendas no financiamento de apartamento

O que é a composição de renda?

A composição de renda nada mais é do que somar o salário de duas ou mais pessoas para solicitar o financiamento. Quando você vai ao banco pedir um crédito, eles seguem uma regra de segurança: a parcela do imóvel não pode ser maior do que 30% da sua renda mensal.

  • Exemplo prático: Se você ganha R$ 3.000,00, a sua parcela só pode ser de até R$ 900,00.
  • Com a família: Se você se juntar a um familiar que também ganha R$ 3.000,00, a renda da família passa a ser R$ 6.000,00. Logo, a parcela pode chegar a R$ 1.800,00. Isso permite comprar um imóvel melhor ou terminar de pagar mais rápido.

Quem pode participar dessa união?

Antigamente, os bancos eram bem rígidos sobre quem poderia somar renda. Hoje em dia, as regras são mais flexíveis. Geralmente, podem participar:

  1. Cônjuges e companheiros: Marido e mulher (mesmo em união estável).
  2. Pais e filhos: Uma das formas mais comuns de ajudar os jovens a saírem de casa.
  3. Irmãos e primos: Parentes colaterais também costumam ser aceitos.
  4. Amigos: Sim, alguns bancos já permitem que pessoas sem laço de sangue somem rendas, mas as regras são mais específicas e exigem muita confiança entre as partes.

As vantagens de comprar em família

Além de conseguir a aprovação do crédito, existem outros benefícios em dividir essa conta:

  • Poder de compra maior: Com mais dinheiro somado, vocês podem olhar aquele apartamento a venda em Botafogo que antes parecia fora do alcance.
  • Uso do FGTS: Todos os participantes que trabalham com carteira assinada podem usar o seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para dar o valor da entrada ou para abater o saldo devedor depois.
  • Divisão de despesas: Além da parcela, um imóvel gera gastos como condomínio, IPTU e manutenção. Dividir isso torna a vida de todo mundo mais tranquila.

Cuidados importantes: Nem tudo são flores

Comprar um imóvel em conjunto é como um casamento financeiro de longa duração (muitas vezes 30 anos!). Por isso, é preciso ter atenção a alguns pontos:

1. O nome deve estar limpo

Se três pessoas forem somar renda e uma delas tiver “nome sujo” (dívidas não pagas), o banco provavelmente vai recusar o financiamento de toda a família. Antes de ir ao banco, todos devem conferir se não há pendências no CPF.

2. O compromisso financeiro

Se um dos familiares perder o emprego, os outros precisarão arcar com a parte dele na parcela. O banco não quer saber quem pagou; ele quer receber o valor total. Por isso, é essencial ter uma reserva de emergência.

3. Propriedade do imóvel

Se três pessoas pagam o financiamento, as três são donas do apartamento. Isso deve ficar registrado na escritura. Caso alguém queira sair do negócio no futuro, o processo pode ser um pouco burocrático, exigindo a venda da parte para os outros ou a venda total do imóvel.

4. A idade dos participantes

O banco calcula o tempo máximo do financiamento com base na pessoa mais velha do grupo. Se o seu avô entrar na composição de renda, o prazo para pagar pode ser menor, o que aumenta o valor das parcelas mensais. Isso acontece porque os bancos trabalham com seguros de vida obrigatórios.

Passo a passo para o financiamento em família

Se vocês decidiram que essa é a melhor opção, aqui está o caminho:

  1. Planejamento: Sentem à mesa e anotem quanto cada um ganha e quanto cada um pode pagar por mês sem passar aperto.
  2. Simulação: Entrem nos sites dos bancos e façam simulações de financiamento. Testem diferentes valores de entrada e prazos.
  3. Documentação: Preparem os comprovantes de renda (holerites ou declaração de Imposto de Renda) de todos os envolvidos.
  4. Aprovação de Crédito: O banco fará uma análise profunda do perfil de cada um antes de liberar o dinheiro.
  5. Escolha do Imóvel: Com a carta de crédito aprovada, é hora de visitar os apartamentos e escolher o novo lar.

Vale a pena?

Com certeza! Para muitas famílias, o financiamento de apartamento coletivo é a única porta de entrada para sair do aluguel. É uma forma de união que gera patrimônio e segurança para o futuro de todos.

A chave do sucesso é a transparência. Conversem abertamente sobre o que acontece se alguém quiser se mudar, se alguém casar ou se a renda diminuir. Deixando tudo combinado por escrito (mesmo que seja um contrato simples entre vocês), a harmonia familiar será preservada.

Conclusão

Comprar um imóvel em família exige responsabilidade, mas é um dos projetos mais gratificantes que um grupo pode realizar. Somar rendas é multiplicar as chances de sucesso. Agora que você já sabe como funciona, que tal convocar uma reunião familiar para discutir o futuro?